Muita gente na pecuária sabe o preço que recebeu pela arroba, mas não sabe quanto custou para produzir cada uma delas. Esses dois números precisam ser comparados toda hora. Sem isso, você pode estar vendendo boi com prejuízo sem perceber, ou deixar de aproveitar um bom momento de mercado por falta de referência.
O cálculo do custo por arroba produzida não é complicado. O desafio mesmo é ter os números de custos organizados. A seguir, você vai ver como montar esse cálculo na prática.
O que é o custo por arroba?
O custo por arroba é o quanto você gastou para produzir cada arroba vendida. Ele reúne todos os desembolsos do ciclo de produção divididos pelo total de arrobas geradas no período.
Custo por arroba = Total de custos do período ÷ Total de arrobas produzidas
Se você gastou R$ 120.000 em um lote ao longo do ciclo e vendeu animais que somaram 1.500 arrobas, o custo por arroba foi de R$ 80,00. Se a arroba estava a R$ 95,00 na época da venda, você embolsou R$ 15,00 por arroba de margem bruta.
Quais custos entram no cálculo
Esse é o ponto onde mais gente erra. Deixar custos de fora distorce o resultado e dá uma sensação falsa de lucro. Organize os gastos nas categorias abaixo:
Custo de aquisição dos animais
O valor pago na compra do bezerro ou do boi magro entra como custo. Se o animal nasceu na própria fazenda, use o custo de cria como referência (vacas, touros, mão de obra da cria, etc.). Esse costuma ser o maior item.
Pastagem e alimentação
Inclua todos os gastos com formação, reforma e manutenção de pastagens, suplementação mineral e proteica, silagem, concentrado e volumoso fornecido no cocho. Na seca, o custo com suplemento pode dobrar o custo total.
Sanidade
Vacinas, vermífugos, carrapaticidas, medicamentos e honorários de veterinário. Parece pouco por cabeça, mas em rebanhos grandes representa uma fatia relevante.
Mão de obra
Salários, encargos e benefícios dos funcionários que atuam diretamente na atividade pecuária. Muitos pecuaristas esquecem de incluir a própria remuneração quando trabalham na fazenda, o que distorce o resultado.
Manutenção de infraestrutura
Reparos de cercas, currais, bebedouros, equipamentos e máquinas usados na atividade. Uma depreciação estimada dos bens fixos também deve ser considerada para uma análise mais completa.
Outros custos operacionais
Combustível, energia elétrica, frete para transporte dos animais, taxas e tributos relacionados à atividade.
Registre todos os custos em um só lugar
O AgroHagio permite registrar cada despesa por lote e visualizar o custo total do ciclo na hora. Sem planilha, sem perder lançamento.
Exemplo prático passo a passo
Imagine um lote de 50 novilhos comprados magros e confinados por 120 dias. Veja como fica o levantamento:
| Item de custo | Valor total |
|---|---|
| Compra dos animais (50 novilhos) | R$ 75.000 |
| Alimentação (ração + silagem) | R$ 28.000 |
| Sanidade (vacinas + vermifugação) | R$ 1.500 |
| Mão de obra (proporcional ao lote) | R$ 3.200 |
| Outros (frete, energia, manutenção) | R$ 1.800 |
| Total de custos | R$ 109.500 |
Ao final dos 120 dias, os 50 novilhos saíram com média de 16 arrobas, totalizando 800 arrobas.
Custo por arroba = R$ 109.500 ÷ 800 arrobas = R$ 136,88/arroba
Se a arroba estava sendo negociada a R$ 155,00 no momento da venda, a margem foi de R$ 18,12 por arroba, ou seja, cerca de R$ 14.500 de resultado bruto no lote.
Ponto de equilíbrio: o número que você precisa ter na cabeça
O ponto de equilíbrio é o preço mínimo da arroba que cobre todos os seus custos. No exemplo acima, é R$ 136,88. Vender abaixo disso é vender com prejuízo, independente do volume.
Conhecer esse número muda a negociação. Você sabe até onde pode ceder no preço, quando esperar uma alta e quando faz mais sentido antecipar a venda para não correr risco de mercado.
Como reduzir o custo por arroba
Melhorar o GMD
Um animal que ganha mais peso por dia dilui o custo fixo do período em mais arrobas. Melhorar a dieta, o manejo e a genética do rebanho costuma ser o caminho mais direto para baixar o custo por arroba. Saiba como calcular e melhorar o GMD.
Comprar bem o boi magro
O custo de entrada do animal representa de 60% a 70% do custo total em ciclos de engorda. Comprar na entressafra, com bom relacionamento com fornecedores, pode reduzir essa base e melhorar muito a margem final.
Controlar o desperdício de ração
Em confinamento, perdas de cocho mal regulado ou ração fora do prazo de consumo somam valores altos ao final do ciclo. Ajustar a oferta ao consumo observado reduz esse custo sem mexer na dieta.
Escala
Custos fixos como mão de obra, manutenção de infraestrutura e equipamentos se diluem conforme o número de animais aumenta. Dobrar o número de cabeças não significa dobrar todos os custos.
Registrar para comparar
O cálculo do custo por arroba só tem utilidade se for feito com regularidade. Um ciclo com custo de R$ 130/arroba pode parecer bom se você não sabe que no ciclo anterior foi R$ 115/arroba. Sem histórico, você não consegue identificar o que mudou nem tomar decisão baseada em tendência.
Por isso é importante manter o registro de todos os custos durante o ciclo, e não só tentar lembrar tudo no final. Quanto mais frequente o lançamento, mais preciso o número e mais fácil de identificar onde os gastos escaparam do planejado.
Conclusão
O custo por arroba é o termômetro financeiro da sua pecuária. Sem ele, você depende do feeling para decidir quando vender, quanto gastar em insumos e se o ciclo foi bom ou ruim. Com ele, as decisões ficam mais simples e as negociações mais firmes.
A conta em si é fácil. O trabalho está em registrar os custos ao longo do ciclo, sem deixar nada de fora. Um app de gestão pecuária ajuda bastante nessa disciplina, porque você lança no celular na hora que gasta, e o total já está lá quando precisar.